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Energias Renováveis no Mundo: o REN21

Chegamos em Berlim, na Alemanha, para uma missão mais que especial: participar da Assembleia Geral do REN21, que ocorreu hoje, domingo. Amanhã e terça serão dedicadas à Academia REN21, um espaço para capacitação e troca de experiência entre os membros.
Mas o que é o #REN21? Em português, a sigla literalmente quer dizer “Rede de Políticas de Energias Renováveis para o século 21”. Apesar do nome comprido, o objetivo é bastante simples: ser um espaço que permite a troca de informações e conteúdo entre governos, setor privado, sociedade civil e academia. Tudo isso para estimular o desenvolvimento das renováveis no mundo e acelerar crescimento mostrado, por exemplo, na figura abaixo:
A mensagem clara de gráficos como este é a da estagnação do desenvolvimento das hidrelétricas no mundo, que cedem lugar para as novas renováveis (podemos combinar de risco do nosso vocabulário essas expressões como “fontes alternativas” ou “energia do futuro”?). Dentre elas, a eólica e a solar são as que apresentam ritmo de crescimento mais elevado: 25% de toda a capacidade em solar fotovoltaica foi instalada em 2017.
Nessa corrida, a China ocupa, sem surpresas, o primeiro lugar do pódio, sendo seguida pelos Estados Unidos e Japão, que competem de perto pelo segundo lugar:
O crescimento das renováveis, sobretudo nos países citados acima, está muito relacionado à própria expansão do mercado interno. Mas não é só isso: há também um componente importantíssimo referente à existência ou não de políticas públicas capazes de abraçar e acelerar este movimento.
O Brasil é um dos 128 países que possui política e metas para o setor de eletricidade, ficando de fora, contudo, do ranking quando o tema é aquecimento e resfriamento e, ainda mais atual, mobilidade elétrica. Olhando para a eletricidade, a expansão da eólica e da geração distribuída no Brasil são exemplos do papel de tais instrumentos em dar, ao setor privado e à sociedade, a correta sinalização de caminho a ser seguido.
O distanciamento entre o setor de eletricidade e o de transportes, contudo, precisa ter um fim rápido. O barateamento dos carros elétricos, a maior inserção da geração distribuída e o ganho de escala de aplicativos que nos permitirão, cada vez mais, gerir nosso consumo de energia e integrar nossa casa, são tendências cada vez mais dominantes no setor.
Mais do que isso: requerem mudanças de hábitos de consumo que têm, cada vez mais, encontrado amparo entre nossa população. A título de exemplo, o mercado de veículos elétricos de passeio cresceu quase 160% de 2016 para 2017.
Mas e o Brasil nisso tudo?
Mundialmente, o Brasil é considerado um país renovável e apoiador de tais fontes. Muito dessa boa reputação se dá pelo fato de a matriz energética brasileira ser predominantemente hidráulica – fonte que é considerada renovável, mas que, a depender da forma como os projetos são desenvolvidos, tem sua sustentabilidade fortemente questionada.
Da porta para fora, o país se comprometeu, no contexto do Acordo de Paris, a alcançar 23% do fornecimento de eletricidade por meio de renováveis não-hídricas até 2030. Da porta para dentro, há um longo dever de casa a ser feito para garantir o crescimento dessas renováveis.
É para garantir que esse dever de casa seja entregue da melhor forma, que acreditamos na importância de ter um setor unido e atuante perante os processos e discussões que ocorrem no âmbito do Ministério de Minas e Energia, Aneel, Ministério de Meio Ambiente e em outros fóruns. Para reforçar essa ajuda, é com muito orgulho que hoje fomos eleitos membros do steering committee do REN21, a organização responsável por produzir, consolidar, agrupar e divulgar os dados que utilizamos ao longo deste post e que podem ser encontrados aqui.

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